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Campinas movimenta R$ 21 milhões com cigarros ilegais

Contrabando desse produto alcança 58% do total do mercado

Os cigarros ilegais atingiram um patamar alarmante. De acordo com uma pesquisa de mercado feita pela Kantar cerca de 58% de todos cigarros que circulam em Campinas são contrabandeados, vindos do Paraguai. Esse valor equivale a uma movimentação de R$ 21 milhões somente no primeiro trimestre de 2019. Um crescimento de 14 pontos percentuais desde 2016 quando a pesquisa começou a ser feita e registrava que o contrabando na cidade era de 44%.

De acordo com outro levantamento pedido pelo ETCO ao Ibope recentemente, 57% de todos os cigarros consumidos no país em 2019 foram ilegais, sendo que 49% foram contrabandeados (principalmente do Paraguai) e 8% foram produzidos por fabricantes nacionais que operam de forma irregular.

Com isso, pela segunda vez desde o início da pesquisa, a arrecadação de impostos do setor será inferior à sonegação causada pela ilegalidade: R$ 11,8 bilhões contra R$ 12,2 bilhões. Esse valor, se revertido em benefícios para a população, poderia ser usado para a construção de 5,9 mil Unidades de Pronto Atendimento, 21 mil Unidades Básicas de Saúde ou 8,6 mil creches.

De 2015 a 2018, o mercado ilegal deste produto no Estado de São Paulo cresceu 39% em volume – atingindo 18,8 bilhões de unidades de cigarros – e 13 pontos percentuais em participação de mercado – alcançando 55%. De acordo com estimativas da indústria, 46% do aumento do mercado ilegal de cigarros, entre 2014 e 2017, concentraram-se em 10 municípios: São Paulo, Campinas, Ribeirão Preto, São José dos Campos, Guarulhos, Santo André, Sorocaba, Santos, Piracicaba e Osasco.

Segundo dados do Ibope, 77% dos estabelecimentos do Estado que vendem cigarros também comercializam o produto contrabandeado, principalmente mercados e mercearias (10%) e bares (52%) – além dos ambulantes.
Dominado por quadrilhas de criminosos, o contrabando de cigarros é fonte de financiamento para outros crimes como o tráfico de drogas, armas e munições. Em 2019, as duas marcas mais vendidas no país são contrabandeadas do Paraguai: Eight, campeã de vendas com 16% de participação de mercado, e Gift, com 10%. Outras três marcas fabricadas no país vizinho compõe a lista dos 10 cigarros mais vendidos: Classic e San Marino (ambas com 4% de mercado) e Fox (com 3% do mercado). Cenário bem parecido em Campinas no qual EIGHT lidera com 50% tendo a companhia de San Marino com 8%, todas paraguaias e contrabandeadas.

Para Edson Vismona, presidente do Instituto Brasileiro de Ética Concorrencial (ETCO), um fator perverso decorrente do aumento no contrabando de cigarros é que, pressionados pela crise que o país enfrenta, os brasileiros que migram do mercado legal para o ilegal para poder economizar dinheiro e ao mesmo tempo aumentar o consumo.”O levantamento apontou que, mesmo gastando menos, já que os cigarros contrabandeados não seguem a política de preço mínimo estabelecida em lei, os consumidores acabam fumando, em média, um cigarro a mais por dia. Isso mostra que as políticas de redução de consumo adotadas pelo governo não estão sendo eficazes, por conta do crescimento do mercado ilegal” afirma Vismona.

O principal estímulo a esse crescimento é a enorme diferença tributária sobre o cigarro praticada nos dois países. O Brasil cobra em média 71% de impostos sobre o cigarro produzido legalmente no país, chegando a até 90% em alguns estados, enquanto que no Paraguai as taxas são de apenas 18%, a mais baixa da América Latina.

“Esta é uma luta muito dura e que deve envolver a coordenação de esforços de autoridades governamentais, forças policiais e de repressão, consumidores, indústria e, claro, das entidades que lutam para a redução do tabagismo no país. Somente desta forma vamos conseguir combater a concorrência desleal e promover uma melhoria do ambiente de negócios no País com melhoria de renda, emprego, saúde pública e segurança para todos os brasileiros” acredita Edson Vismona.

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